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Brumas de amor fatigado, flamejantes chamas da agonia do crepúsculo, escuras ruas vazias e inconstantes... Resquícios de uma paixão esfacelada, de um sonho adormecido e de um cansaço permanente. Pessoas ocas andam perdidas como almas perturbadas e desesperadas, traçando caminhos tortuosos, arrastando corações partidos para a dor da morte. Estrelas cadentes que acendem espíritos angustiados e abraçam os medos dos cadáveres ressuscitados.

Acordei cedo naquele dia. A chuva forte batia contra a janela, espalhando gotas que se assemelhavam a lágrimas vindas do céu. Preparei meu café, sentei-me no sofá, sozinha. Os lugares vazios ao meu lado me lembravam das escolhas erradas que eu havia feito na minha vida, nas pessoas que eu disse adeus, nos arrependimentos que hoje faziam minha alma mais pesada.
O dia transcorreu normalmente, como todos os outros. A minha única companhia foi um livro cujo já havia lido dezenas de vezes. Sentia que, se minha alma fosse palpável, seria como aquele livro. Velha, mas que tinha boas histórias para contar. Mas, quando eu parava para pensar, sentia-me desolada por ter perdido tantas oportunidades. Por não ter escrito um final mais bonito.
As estrelas já emolduravam o céu. A lua brilhava, trazendo-me mais um par de lembranças. Pensava se o meu único e verdadeiro amor, cujo eu havia dito adeus, estaria olhando para o mesmo céu. Logo afastei o pensamento bobo. Era evidente que não. Fechei a janela e fiz outro café, embora não fosse esta uma ideia muito inteligente para a insônia que passava. Acomodei-me novamente na poltrona. Devia ser assim que as pessoas com os sonhos flagelados se sentiam. Assim que as pessoas que deixaram seus amores ir embora terminavam. Assim que as pessoas que sufocavam as utopias no mais profundo porão de sua alma sofriam. Dessa mesma forma, como eu. Perguntava-me se alguém sofria desta mesma maneira ou se eu realmente estava só no mundo.
Quisera eu ter sabido que o meu único amor também lamentava ter ido embora enquanto olhava para a pálida lua no céu.

Os seres humanos devem estar muito orgulhosos de si próprios. Construíram edifícios, monumentos, muros que já separaram nações, robôs e máquinas inteligentes. Mas mesmo assim, nenhum deles chegou lá. Tanta parafernália, tanto trabalho, tanto estudo, tanto suor que permeiam os dias de tantas pessoas... E para quê? Para dar um sentido à frívola existência vazia que temos? Para ocupar o período que compreende nosso nascimento até a morte? Qual é o verdadeiro sentido disto tudo?
Somos sete bilhões de pessoas no mundo. Mas, e todas as que já partiram? Milhões delas já foram mortas por nossas próprias criações, seja no trânsito ou pela mira de um revólver. Isso sem mencionar as bombas. Os ataques aéreos. As guerras. E para quê? Para construir uma sociedade melhor sob os cadáveres de inocentes?
É, sete bilhões de pessoas no mundo. Nenhuma chegou lá. A maioria está acorrentada a dogmas, alienada pela televisão, sem senso crítico para lutar por mudanças. Arrastando-se em sua vida vazia e sem significado. Assistindo ao Big Brother. Bisbilhotando a vida do vizinho. Lendo o horóscopo. Muito interessados no que as estrelas têm a dizer sobre o seu dia. Mas sem a mínima vontade de alcançá-las.

Eu tinha 15 anos. Minha alma, porém, tinha muito mais peso. Era uma alma velha, cheia de buracos e cortes, mas ainda brilhava como nova e ainda guardava fragmentos de esperança - em mim mesma, no mundo, nas outras pessoas.
Colecionava histórias, lia clássicos, acreditava no "e foram felizes para sempre." Achava que já sabia de tudo que precisava saber. Acreditava no amor - e como acreditava. Sonhava em ser a personagem de um dos romances que eu tanto adorava. E realmente achava que comporia uma história mais bonita que a da Cinderela.
Mas eu não sabia que, na verdade, o mundo que eu idealizava não existia. Qual foi o meu espanto ao sair pela porta e me deparar com a realidade. Realidade. Onde os monstros vivem dentro de nós, geralmente adormecidos. Porém, às vezes eles despertam.
Eu tinha 15 anos quando meu mundo de fantasia desmoronou. Quando eu vi como as pessoas podem ser cruéis e como o amor nem sempre é algo bom. Descobri as cicatrizes, tentei curar os ferimentos. Sem sucesso. Acabei matando a criança que existia em mim.
Agarrei-me a ficção para fugir da realidade. Ela estanca a dor, encobre a agonia do mundo que encontramos ao abrirmos os olhos. E é por isto que eu escrevo: para criar um mundo melhor. Nem que ele não passe de imaginação.
Existem almas de todas as cores. Algumas vibrantes, outras opacas. Algumas que gostam de andar de mãos dadas, outras que trilham seu próprio caminho. Há as que cintilam mais que as estrelas, mas há também as que gostam de se esconder em lugares escuros. Algumas são puro jazz, leves e tranquilas. Outras gritam no ritmo do Rock N' Roll. Há as confusas, que não sabem direito para onde estão indo. Contudo, a maioria delas é movida pelos sonhos. Mas também há as que só conseguem lembrar dos pesadelos, as que desvanecem cada vez que aparece uma pedra no caminho. Há as que queimam, febris, querendo revolução e mudança. Algumas são sempre preto e branco, gostam de ficar longe do sol. Outros são o sol, formam cada fragmento dele.
Minha alma é como um camaleão: fica mudando de cor o tempo todo. Às vezes, ela é cor-de-rosa, cheia de vida e esperança. Mas tem os dias em que ela é tão escura quanto uma sombra, escondida entre os mares tortuosos do pessimismo e solidão.
Às vezes, perco a vontade de sair de casa e encarar o mundo que me espera à soleira de minha porta. Estou cansada das mesmas conversas, de pessoas mesquinhas que só sabem falar umas sobre as outras e do vazio de cultura e de sentimento.
Queria poder sair livremente, parar em um Café e pedir um expresso grande enquanto mergulho nas páginas de um bom romance. Neste Café eu conheceria alguém que valesse a pena, que viria conversar, desinteressadamente, sobre o livro que eu estaria lendo. Iríamos à biblioteca, eu iria cheirar as páginas dos livros que me interessassem e ele não acharia esta uma mania estranha. Ele faria caras engraçadas entre as estantes vazias só para me fazer sorrir. Ele leria um trecho do seu livro favorito e eu sentiria o mesmo que ele sentiu quando o leu pela primeira vez.
Mas, imaginando tudo isto, antes de sair da soleira da porta, lembro que ninguém mais liga para nada disso. Lembro que as bibliotecas estão vazias, que o pó se acumula sem cessar sobre os exemplares e que o Café está deserto de almas como a minha. Volto para o meu quarto, abro um livro na primeira página, inicio outra leitura e crio outro mundo – um mundo só meu, onde as coisas façam sentido. E penso em como todas as pessoas que valem a pena conhecer estão em casa, com o coração partido, desencorajados e sem vontade de abrir a porta para o mundo real e olhar para toda a ignorância, o egoísmo e o desamor que estão espalhados em casa esquina. Percebo o quanto eu prefiro a ficção e começo a ler o capítulo um.
No fim, o que restam são apenas lembranças. Às vezes, você se flagra sorrindo lembrando-se daquele momento que você tanto esperou e aconteceu - talvez de um jeito bem melhor do que você tinha imaginado. Mas, às vezes, você se pode se perder nos próprios pensamentos, a mente longe, os olhos fixos, matutando como as coisas estão indo mal… Como você queria poder mudar, como você queria que fosse diferente. Mas isso também passa. Seja bom, seja mau, um dia terá um final. E você só poderá sorrir ou lamentar o que passou. Porém, saiba que o pior lamento é o da oportunidade perdida. O “E se…?” tem o poder de destruir uma vida de lembranças. Tenha certeza de que é melhor ruborizar ou até mesmo se arrepender do que passar a vida pensando sobre como seria se você tivesse tido coragem. Se você tivesse ousado. É preciso arriscar. Só assim as lembranças não te atormentarão, e sim te farão sorrir. Guarde-as com carinho, conserve-as no fundo de sua alma. Ignore o que te aflige, o que te retém. Isso também passa.
sábado, 12 de maio de 2012
Angels lie to keep control
Brumas de amor fatigado, flamejantes chamas da agonia do crepúsculo, escuras ruas vazias e inconstantes... Resquícios de uma paixão esfacelada, de um sonho adormecido e de um cansaço permanente. Pessoas ocas andam perdidas como almas perturbadas e desesperadas, traçando caminhos tortuosos, arrastando corações partidos para a dor da morte. Estrelas cadentes que acendem espíritos angustiados e abraçam os medos dos cadáveres ressuscitados.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Broken dreams

Acordei cedo naquele dia. A chuva forte batia contra a janela, espalhando gotas que se assemelhavam a lágrimas vindas do céu. Preparei meu café, sentei-me no sofá, sozinha. Os lugares vazios ao meu lado me lembravam das escolhas erradas que eu havia feito na minha vida, nas pessoas que eu disse adeus, nos arrependimentos que hoje faziam minha alma mais pesada.
O dia transcorreu normalmente, como todos os outros. A minha única companhia foi um livro cujo já havia lido dezenas de vezes. Sentia que, se minha alma fosse palpável, seria como aquele livro. Velha, mas que tinha boas histórias para contar. Mas, quando eu parava para pensar, sentia-me desolada por ter perdido tantas oportunidades. Por não ter escrito um final mais bonito.
As estrelas já emolduravam o céu. A lua brilhava, trazendo-me mais um par de lembranças. Pensava se o meu único e verdadeiro amor, cujo eu havia dito adeus, estaria olhando para o mesmo céu. Logo afastei o pensamento bobo. Era evidente que não. Fechei a janela e fiz outro café, embora não fosse esta uma ideia muito inteligente para a insônia que passava. Acomodei-me novamente na poltrona. Devia ser assim que as pessoas com os sonhos flagelados se sentiam. Assim que as pessoas que deixaram seus amores ir embora terminavam. Assim que as pessoas que sufocavam as utopias no mais profundo porão de sua alma sofriam. Dessa mesma forma, como eu. Perguntava-me se alguém sofria desta mesma maneira ou se eu realmente estava só no mundo.
Quisera eu ter sabido que o meu único amor também lamentava ter ido embora enquanto olhava para a pálida lua no céu.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Long road without stars

Os seres humanos devem estar muito orgulhosos de si próprios. Construíram edifícios, monumentos, muros que já separaram nações, robôs e máquinas inteligentes. Mas mesmo assim, nenhum deles chegou lá. Tanta parafernália, tanto trabalho, tanto estudo, tanto suor que permeiam os dias de tantas pessoas... E para quê? Para dar um sentido à frívola existência vazia que temos? Para ocupar o período que compreende nosso nascimento até a morte? Qual é o verdadeiro sentido disto tudo?
Somos sete bilhões de pessoas no mundo. Mas, e todas as que já partiram? Milhões delas já foram mortas por nossas próprias criações, seja no trânsito ou pela mira de um revólver. Isso sem mencionar as bombas. Os ataques aéreos. As guerras. E para quê? Para construir uma sociedade melhor sob os cadáveres de inocentes?
É, sete bilhões de pessoas no mundo. Nenhuma chegou lá. A maioria está acorrentada a dogmas, alienada pela televisão, sem senso crítico para lutar por mudanças. Arrastando-se em sua vida vazia e sem significado. Assistindo ao Big Brother. Bisbilhotando a vida do vizinho. Lendo o horóscopo. Muito interessados no que as estrelas têm a dizer sobre o seu dia. Mas sem a mínima vontade de alcançá-las.
sábado, 26 de novembro de 2011
A new perspective

Eu tinha 15 anos. Minha alma, porém, tinha muito mais peso. Era uma alma velha, cheia de buracos e cortes, mas ainda brilhava como nova e ainda guardava fragmentos de esperança - em mim mesma, no mundo, nas outras pessoas.
Colecionava histórias, lia clássicos, acreditava no "e foram felizes para sempre." Achava que já sabia de tudo que precisava saber. Acreditava no amor - e como acreditava. Sonhava em ser a personagem de um dos romances que eu tanto adorava. E realmente achava que comporia uma história mais bonita que a da Cinderela.
Mas eu não sabia que, na verdade, o mundo que eu idealizava não existia. Qual foi o meu espanto ao sair pela porta e me deparar com a realidade. Realidade. Onde os monstros vivem dentro de nós, geralmente adormecidos. Porém, às vezes eles despertam.
Eu tinha 15 anos quando meu mundo de fantasia desmoronou. Quando eu vi como as pessoas podem ser cruéis e como o amor nem sempre é algo bom. Descobri as cicatrizes, tentei curar os ferimentos. Sem sucesso. Acabei matando a criança que existia em mim.
Agarrei-me a ficção para fugir da realidade. Ela estanca a dor, encobre a agonia do mundo que encontramos ao abrirmos os olhos. E é por isto que eu escrevo: para criar um mundo melhor. Nem que ele não passe de imaginação.
domingo, 28 de agosto de 2011
There's a hole in my soul
Existem almas de todas as cores. Algumas vibrantes, outras opacas. Algumas que gostam de andar de mãos dadas, outras que trilham seu próprio caminho. Há as que cintilam mais que as estrelas, mas há também as que gostam de se esconder em lugares escuros. Algumas são puro jazz, leves e tranquilas. Outras gritam no ritmo do Rock N' Roll. Há as confusas, que não sabem direito para onde estão indo. Contudo, a maioria delas é movida pelos sonhos. Mas também há as que só conseguem lembrar dos pesadelos, as que desvanecem cada vez que aparece uma pedra no caminho. Há as que queimam, febris, querendo revolução e mudança. Algumas são sempre preto e branco, gostam de ficar longe do sol. Outros são o sol, formam cada fragmento dele.
Minha alma é como um camaleão: fica mudando de cor o tempo todo. Às vezes, ela é cor-de-rosa, cheia de vida e esperança. Mas tem os dias em que ela é tão escura quanto uma sombra, escondida entre os mares tortuosos do pessimismo e solidão.
domingo, 21 de agosto de 2011
Fly away from here
Às vezes, perco a vontade de sair de casa e encarar o mundo que me espera à soleira de minha porta. Estou cansada das mesmas conversas, de pessoas mesquinhas que só sabem falar umas sobre as outras e do vazio de cultura e de sentimento.
Queria poder sair livremente, parar em um Café e pedir um expresso grande enquanto mergulho nas páginas de um bom romance. Neste Café eu conheceria alguém que valesse a pena, que viria conversar, desinteressadamente, sobre o livro que eu estaria lendo. Iríamos à biblioteca, eu iria cheirar as páginas dos livros que me interessassem e ele não acharia esta uma mania estranha. Ele faria caras engraçadas entre as estantes vazias só para me fazer sorrir. Ele leria um trecho do seu livro favorito e eu sentiria o mesmo que ele sentiu quando o leu pela primeira vez.
Mas, imaginando tudo isto, antes de sair da soleira da porta, lembro que ninguém mais liga para nada disso. Lembro que as bibliotecas estão vazias, que o pó se acumula sem cessar sobre os exemplares e que o Café está deserto de almas como a minha. Volto para o meu quarto, abro um livro na primeira página, inicio outra leitura e crio outro mundo – um mundo só meu, onde as coisas façam sentido. E penso em como todas as pessoas que valem a pena conhecer estão em casa, com o coração partido, desencorajados e sem vontade de abrir a porta para o mundo real e olhar para toda a ignorância, o egoísmo e o desamor que estão espalhados em casa esquina. Percebo o quanto eu prefiro a ficção e começo a ler o capítulo um.
Memories can last forever
No fim, o que restam são apenas lembranças. Às vezes, você se flagra sorrindo lembrando-se daquele momento que você tanto esperou e aconteceu - talvez de um jeito bem melhor do que você tinha imaginado. Mas, às vezes, você se pode se perder nos próprios pensamentos, a mente longe, os olhos fixos, matutando como as coisas estão indo mal… Como você queria poder mudar, como você queria que fosse diferente. Mas isso também passa. Seja bom, seja mau, um dia terá um final. E você só poderá sorrir ou lamentar o que passou. Porém, saiba que o pior lamento é o da oportunidade perdida. O “E se…?” tem o poder de destruir uma vida de lembranças. Tenha certeza de que é melhor ruborizar ou até mesmo se arrepender do que passar a vida pensando sobre como seria se você tivesse tido coragem. Se você tivesse ousado. É preciso arriscar. Só assim as lembranças não te atormentarão, e sim te farão sorrir. Guarde-as com carinho, conserve-as no fundo de sua alma. Ignore o que te aflige, o que te retém. Isso também passa.




