segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Live in the past




Comecei a me perguntar o que fizeram com o amor. Banalizaram-o de tal forma, que não podemos mais distinguir o que é amor e o que é mentira. Quando vejo pessoas que se conhecem há um dia dizendo “eu te amo”, me pergunto se, em apenas um dia, esta pessoa já conheceu tudo sobre a outra. Em um dia. Levamos toda uma vida para conhecermos a nós mesmos. Desenvolvemos amor-próprio porque estamos todo dia, nesse autoconhecimento. As pessoas confundem admiração com amor. Confundem o simples fato de conviver com amizade. Confundem tristeza com antipatia. E assim seguimos, pessoas vivendo em um mundo abstrato, totalmente confusas, sem saber direito o que sentem e, conseqüentemente, o que dizem.
Há alguns anos, as coisas costumavam ser bem diferentes. Você não dizia que amava alguém sem antes ter a certeza de que isso era verdade. Você não chamava alguém que mal conhecia de amigo. Estranho pensar em um mundo que parece ser tão diferente da nossa realidade. Não se falava tanto em divórcios, as pessoas valorizavam mais a família, não diziam sentir falta de alguém que não conviveram tempo o bastante para realmente sentir.
Não estou dizendo que era tudo perfeito. Não eram só vestidos rodados e verdades que moldavam alguns séculos atrás. Porém, penso nas histórias magníficas que se desenvolveram há alguns anos. Um cenário que inspira, por exemplo, Shakeaspere a escrever Romeu e Julieta. Ou então, a época do Romantismo, em que se morria de amor. Não como hoje, que dizem matar por amor. Vemos nos noticiários, famílias desestruturadas, mães que matam os próprios filhos, pais que matam as esposas. E como defesa, ainda utilizam o argumento de que fizeram isto por amor. Tão contraditório, pois em um ato deste, tudo que se percebe é a ausência do amor. Então eu penso, aonde foi parar todo aquele encanto aonde as pessoas seriam capazes de morrer pelas pessoas que amam? Eu mesma respondo: Isso ficou para os filmes. Ultimamente, o único amor imortal é o que cada um sente por si mesmo.
Não quero generalizar. Ainda existem alguns espécimes raros de coração. Pessoas que são movidas pelo que tem de bom dentro de si. Pessoas pelas quais ainda vale a pena guardar as esperanças de resgatar um pouco desse sentimento. Espero a dádiva de ver um amor que seja real e não obra da ficção ou do dia-a-dia de mentes confusas.

4 comentários:

Felipe Braga disse...

Nossa, muito bom. Estava conversando sobre isso há algumas horas, e isso resume boa parte da conversa.

Invejo alguns de seus textos, você escreve demais.

Jéssica Tolotti disse...

Minha Nossa! E depois dizem que 'eu' escrevo bem!! Fiquei maravilhada e admirada com o teu texto !! Tu tem o dom da palavra!! hahha
Parabens!!

@Rayaneivie disse...

Realmente, pessoas que falam EU TE AMO por falar, sem pensar, sem realmente sentir, é pavoroso. Ainda mais essas que conhecemos a pouquissimo tempo. Acho uó. Um sentimento tão bonito a gente vai adquirindo com o passar dos dias, não por ' admiração' como você mesma disse. Enfim, realmente acredito que antigamente as coisas podem ter sido mais bonitas mesmo. Escreves muito bem, viu ?

Um beijo. :)

gusta_olivera disse...

noossa :o
acheei muuito lindo isso *-* e vc falou tudo ai. hoje em dia as pessoas falam o "eu te amo" sem amar de verdade ;/
Parabééns ! muuito lindo .beejo :*

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