segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Alive


A cidade era cinza, enegrecida pela poeira e pela escuridão dos cadáveres insepultos que ainda vagueavam em bandos pela alameda. O sol era dourado, mas o brilho estava opaco, quase morto; as estradas colecionavam passos de errantes, perdidos e baderneiros. Os cadáveres acreditavam firmemente que ainda estavam vivos e, como ignorantes, agarravam-se a esta ideia. O que seria a vida para eles? Vaguear por esta avenida escura todos os dias, sem saber o destino, desleais e impuros, torturados pelas chamas que incendeiam os próprios infernos? Eu olho pela janela, observo o céu escuro e nublado. Tenho meu inferno particular – de arrependimentos, histórias não terminadas, sonhos obstruídos. Tenho meu próprio porão de cadáveres – pessoas que matei em minha consciência, por ter medo de seguir em frente ou receio de conhecer totalmente. Teria eu matado a mim mesma? Andando neste tortuoso e impiedoso caminho, teria eu enlouquecido e dado cabo de minha própria alma? Serei eu um desses cadáveres? Minha cabeça fica confusa. Pareço viva? Estou respirando, isto é um bom sinal. Mas será que já não morri? Será que já não matei utopias demais pra poder me considerar viva? Não sei dizer. Mas pode alguém viver sem ilusão e fantasia?

Um comentário:

Bia Muniz disse...

Belo jeito que escreve!!!
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